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O candidato à Presidência pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva, disse hoje (29) que é preciso fortalecer a Organização das Nações Unidas (ONU) para combater as mudanças climáticas. “A gente não resolverá a questão climática se não tiver uma governança mundial que decida e que todos tenham que cumprir”, disse, ao discursar em um encontro com deputados do Parlamento Europeu, em um hotel na capital paulista.

Segundo Lula, para aumentar a força das deliberações da ONU é necessário repensar a estrutura da organização. “A ONU de 2022 não pode continuar sendo a ONU de 1948. A geografia do mundo mudou, os países mudaram. Houve um avanço cultural extraordinário. O que nós precisamos é repactuar os participantes da ONU”, ressaltou.

O candidato acredita que, só assim, será possível fazer com que as decisões tomadas no fórum internacional tenham efeitos concretos e sejam colocadas em prática. “Se a gente quiser continuar discutindo a questão climática, decidindo nos encontros que vai fazer a nível internacional e depois cada país tenta resolver o negócio no seu Estado nacional, lamento, não vai acontecer”, disse sobre a falta de efetividade atual dos acordos.

O Brasil tem, na opinião de Lula, condições de ocupar um papel de destaque na transição para uma economia com baixa emissão de gases do efeito estufa. “O Brasil pode ser o protagonista disso. O Brasil pode utilizar a Amazônia para que a gente possa extrair, das riquezas da biodiversidade, o suficiente para sustentar quase 30 milhões de brasileiros que moram naquela região”, disse.

O desenvolvimento de pesquisas que permitam o uso sustentável da floresta precisa ser feito, segundo Lula, em parceria com outros países. “Nós precisamos de ajuda, de parceria, seja do ponto de vista de investimentos, seja do ponto de vista de ciência e tecnologia, a participação da construção de um mundo efetivamente limpo, sem emissões de gás carbônico”, acrescentou.

O candidato enfatizou, no entanto, que o Brasil não vai abrir mão da soberania sobre o próprio território. “Aqui no Brasil a gente não abre mão da soberania da Amazônia. Mas, é importante lembrar que a Amazônia não é só nossa. Nós temos Amazônia na Venezuela, na Colômbia, no Peru, no Equador, na Bolívia e nas três Guianas”, disse.

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